domingo, outubro 24, 2010

Tempo

De novo eu com as minhas indagações... fui atrás de um poema e me deparo com uma obra prima. Particularmente, não conheço muita coisa deste poeta, mas o pouco que conheço me agrada muito mesmo. Seu nome é Mário Quintana, e suas palavras são bastante sábias.

O tempo

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa. 
Quando se vê, já são seis horas! 
Quando de vê, já é sexta-feira! 
Quando se vê, já é natal... 
Quando se vê, já terminou o ano... 
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida. 
Quando se vê passaram 50 anos! 
Agora é tarde demais para ser reprovado... 
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio. 
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas... 
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo... 
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo. 
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz. 
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.


Ainda há tempo? Não sei!!! Tenho certeza das minhas dúvidas! Que paradoxal, mas é isso mesmo, é a vida... a vida que me obriga a ter certezas em um momento em que eu queria poder apenas dizer não sei! ... não sei !!! Tudo, digo tudo, tem seu lado bom... E se agora eu não entendo, amanhã será bem claro, bem simples...  até as dúvidas farão todo sentido. espero ter tempo... pra que não seja igual ao poema, o tempo passe, a vida passe e eu deixe de lado meus amores, meus desejos, meus gostos, minha felicidade. espero ter tempo pra não ter falta de tempo... ter tempo pra não ter medo... ter tempo pra errar, mas poder ter tempo pra consertar meus erros. ter tempo pra amar e poder entender uma parcela mínima do que é o amor. Afinal o que é mesmo o amor. Tão contrário a si é o mesmo amor... 


Monte Castelo

Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos,
Sem amor eu nada seria.
É só o amor! É só o amor
Que conhece o que é verdade.
O amor é bom, não quer o mal,
Não sente inveja ou se envaidece.
O amor é o fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.
Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor eu nada seria.
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É um não contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder.
É um estar-se preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É um ter com quem nos mata a lealdade.
Tão contrário a si é o mesmo amor.
Estou acordado e todos dormem.
Todos dormem. Todos dormem.
Agora vejo em parte,
Mas então veremos face a face.
É só o amor! É só o amor
Que conhece o que é verdade.
Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos,
Sem amor eu nada seria.

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